quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Testemunho e Testamento


A única certeza que tenho
É a certeza da morte
Então que ela me venha de surpresa
Me pegue e me enlace,
Me enrede e me emaranhe
Em seus braços tépidos e frios.
Mas que me dê a oportunidade
No ultimo instante,
De rever na minha mente
O filme da minha vida.
Que eu possa sentir o gosto
“Que tenha valido a pena”!
Não quero morrer aliviada
E nem contemplando o mundo.
Prefiro morrer na peleja
Do que morrer descansada em meu leito.
Prefiro morrer com o peito rasgado
Do que do suspiro tranqüilo me deixe escapar a vida.
Prefiro a morte em prantos, em gritos desbravados
Do que a solidão da indolência de não ter partido.
Prefiro ainda que me doa mais, morrer sabendo que estou morrendo
Do que fazer um esforço para desejar a continuar no confortável descaso.
Prefiro a morte caída, dolorosa, titubeante
Que me faça sentir o quanto desejei a vida.
Que até o ultimo instante, ainda brigando contra ela
Possa recebe-la de braços abertos,
Negando-a mas aceitando-a no final.
Que cale, minha palavra esbravejante,
Que amarre, minhas mãos batalhadoras,
Que cegue,meus olhos desejosos,
Que termine enfim por me encarcerar
Junto ao infinito, finitamente estático
De mim mesma!
Lora

Nenhum comentário:

Postar um comentário