sábado, 17 de outubro de 2009

O Vento


Hoje o vento
matreiro e solto
varreu minha alma,
brincou com meu tempo
e me levou
me levou longe!
Soltou meus braços e meus cabelos,
lembrou-me quem sou
e lembrou-me que nada sou.

Este vento percorreu-me por inteiro
depois desfez meus pensamentos,
embotou minha memória,
vasculhou meu corpo.
E deixou-me ali estática,
imóvel,entregue
as suas caricias,
ao seu perfume,
a sua fluidez e leveza.

Ao seu frio encontro com minha pele
me fez desejar de novo estar viva,
mesmo não querendo,
mesmo nao querendo!
Uma mulher ao vento,
que esquecera ser uma mulher.
ou será o vento que esqueceu-se
de lamber meu corpo para lembrar-me do que sou?

Então a este vento eu peço: passe por mim e deixe-me partir,
passe por mim mas leve-me também,
para lugar algum,
longe de tudo o que sei!
Leve-me para onde eu não me encontre,
eu não me reconheça.
Leve-me para onde eu não tenha medo,
onde eu não precise,onde eu nada espere!

Varra as dores que sinto em meu corpo,as dores que sinto em minha alma.
Acaricie meu rosto,seque as lagrimas que deixei cair.
Mas principalmente leve-me para onde eu não mais deseje,onde não te deseje!
Mas continuo te querendo e a ti eu peço,
quero viver de novo,quero estar viva.
Foi isto que vieste me lembrar.
Aqui estou,solta no teu turbilhão,
é isto o que desejo,é tudo o que desejo,
Sentir-me viva,sentir-me viva!

Lora

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