sexta-feira, 24 de abril de 2009

Fundamentos da Religião Egípcia (curiosidades)


Os antigos egípcios acreditavam em um Deus Único que foi auto-engendrado e auto-existente, imortal, invisível, eterno, onisciente, todo-poderoso, etc. Este Deus Único foi representado por funções e atributos de Sua esfera de ação. Estes atributos foram chamados Neteru (pronuncia-se net-er-u, sendo o masculino singular Neter e o feminino singular Netert). Os termos deuses e deusas constituem uma interpretação errônea do termo egípcio Neteru.

Quando perguntamos, "Quem é Deus?", estamos na verdade perguntando, "O que é Deus?". O nome ou substantivo não diz nada. Deus só pode ser definido pela multiplicidade de Seus atributos, qualidades, poderes, ações. Conhecer Deus significa conhecer as inúmeras qualidades de Deus. Quanto mais sabemos sobre estas qualidades (chamadas Neteru), mais próximos ficamos de nossa origem divina. Na verdade, trata-se da mais alta expressão do misticismo monoteísta.

A concepção comumente encontrada em várias culturas afirma que o ser humano foi concebido de acordo com a imagem de Deus, ou seja, o ser humano é um universo em miniatura e, entender o universo é entender o indivíduo e vice-versa.
Até agora, nenhuma cultura praticou este o princípio como os antigos egípcios. O núcleo de entendimento completo do universo era o conhecimento que o homem foi criado de acordo com a imagem de Deus e, como tal, o homem representava a imagem de toda a criação. Assim sendo, o simbolismo egípcio e todas as correspondências eram conseqüentemente relacionadas ao homem, à Terra, ao sistema solar e finalmente ao universo.

Algumas representações foram utilizadas para simplificar e demonstrar os significados científicos e filosóficos dos Neteru (deuses/deusas). O resultado é que as imagens de Auset (Ísis), Ausar (Osíres), Amen, Heru (Hórus), Mut, etc., tornaram-se símbolos de tais atributos/funções/forças/energias.
Estes símbolos ilustrados destinavam-se apenas a fixar a atenção ou representar idéias abstratas e não era esperado que fossem vistos como personagens reais. Como diz o ditado: uma imagem vale mais que mil palavras.


No simbolismo egípcio, a exata função dos Neteru (deuses/deusas) são reveladas de diversas maneiras: vestimenta, ornamentos de cabeça, coroa, pena, animal, planta, cor, posição, tamanho, gesto, objeto sagrado (por exemplo, mangual, cetro, bastão, etc.). Esta linguagem simbólica representa a riqueza de elementos físicos, psicológicos, fisiológicos e espirituais apresentados nos símbolos.
A observação cuidadosa e profundo conhecimento do mundo natural permitiram que os egípcios conferissem qualidades específicas a certos animais que poderiam simbolizar determinadas funções e princípios divinos. Assim sendo, certos animais foram escolhidos como símbolos de determinado aspecto da divindade. Trata-se de um modo de expressão efetivo e consistente encontrado em todas as culturas. Por exemplo, no ocidente usamos expressões como: fiel como um cão, esperto como uma raposa, etc.
O animal ou o Neteru com cabeça de animal (deuses/deusas) são expressões simbólicas de um entendimento espiritual profundo. Se o desenho for de um animal, representa um particular atributo ou função em sua forma mais pura.
Se for representado uma imagem com cabeça de animal, significa aquela determinada função ou atributo do animal no ser humano. As duas formas de Anbu (Anubis) apresentadas nas ilustrações, mostram claramente estes dois aspectos.

Outro exemplo é a representação da alma no Antigo Egito que é conhecida como ba. Ba é representada como um pássaro de cabeça humana que é o oposto da representação normal de Neteru (deuses/deusas) que têm corpos humanos e cabeças de animais. Ba é retratada como uma cegonha que é conhecida por seu instinto de migração e volta a origem, além de levar os bebês para suas famílias. A cegonha retorna ao seu próprio ninho com exatidão, portanto, um pássaro migrador é a escolha perfeita para representar a alma.

No Antigo Egito não havia conflitos religiosos/políticos nem cultos religiosos. Os egiptólogos ocidentais, que afirmam a existência destas bobagens estão apenas projetando a história da Igreja sobre a história do Antigo Egito.

Como cada Neter/Netert representa uma função, podemos encontrá-lo(a) em qualquer templo, tumba ou texto. Um Neter/Netert pode ter uma função proeminente (embora nunca exclusiva) em qualquer templo. Todos os templos tinham a mesma importância e os faraós egípcios executavam rituais em todos os templos do Egito. Os egípcios nomeavam os Neter/netert, porém os nomes no antigo Egito não serviam apenas para identificação; o nome também sintetizava o princípio representado. Por exemplo, o Neter Ra(Re) é descrito nos textos funerários da seguinte maneira: "Eles causaram tua vinda à existência como Ra em teu nome de Khepri". Khepri não é apenas outro nome/identificação para Ra (Re); também significa vir a existir.

Uma hipótese normalmente levantada pelos acadêmicos ocidentais é que havia um alteração de poder entre os Neterus (deuses/deusas) associada aos eventos históricos. Os Neterus são forças da natureza. Como na natureza ocorrem variações cíclicas, alguns Neterus foram mais proeminentes do que o outros em certos períodos. Tal fato deu-se devido às alterações das eras zodiacais e não estavam associados às alterações políticas.


UM POUCO DO MITO DA RELIGIÃO:

desenvolve-se uma hierarquia divina e se explicava a criação do mundo.

De acordo com o relato egípcio da criação, no princípio só existia o oceano. Então Rá, o Sol, surgiu de um ovo (segundo outras versões de uma flor) que apareceu sobre a superfície da água. Rá deu à luz quatro filhos, os deuses Shu e Geb e as deusas Tefnet e Nut. Shu e Tefnet deram origem à atmosfera. Eles serviram-se de Geb, que se converteu na terra, e elevaram Nut, que se converteu em céu. Rá regia todas as coisas. Geb e Nut posteriormente tiveram dois filhos, Set e Osíris, e duas filhas, Ísis e Neftis. Osíris sucedeu Rá como rei da terra ajudado por Ísis, sua esposa e irmã. Set odiava seu irmão e o matou. Ísis embalsamou o corpo do seu esposo com a ajuda do deus Anúbis, que desta forma tornou-se o deus do embalsamento. Os feitiços poderosos de Ísis ressuscitaram Osíris, que chegou a ser rei do mundo inferior, da terra dos mortos. Horus, filho de Osíris e Ísis, derrotou posteriormente Set em uma grande batalha tornando-se rei da terra.

Desse mito da criação surgiu a concepção da eneada, grupo de nove divindades, e da tríade, formada por um pai, uma mãe e um filho divinos. Cada templo local tinha sua própria eneada e sua própria tríade. A eneada mais importante foi a de Rá com seus filhos e netos. Este grupo era venerado em Heliópolis, centro do culto ao Sol no mundo egípcio. A origem das deidades locais é obscura; algumas vieram de outras religiões e outras de deuses animais da África pré-histórica. Gradativamente foram se fundindo em uma complicada estrutura religiosa, ainda que comparativamente poucas divindades locais tivessem chegado a ser importantes em todo o Egito. As divindades importantes incluíam os deuses Amon, Thot, Ptah, Khnemu e Hapi e as deusas Hator, Nut, Neit e Seket. Sua importância aumentou com o ascendente político das localidades onde eram veneradas. Por exemplo: a eneada de Menfis era encabeçada por uma tríade composta pelo pai Ptah, a mãe Seket e o filho Imhotep

De qualquer modo, durante as dinastias menfitas, Ptah chegou a ser um dos maiores deuses do Egito. De forma semelhante, quando as dinastias tebanas governaram o Egito, a eneada de Tebas adquiriu grande importância, encabeçada pelo pai Amon, a mãe Mut e o filho Khonsu. Conforme a religião foi se desenvolvendo, muitos seres humanos glorificados após sua morte acabaram sendo confundidos com deuses. Assim Imhotep, que originariamente fora o primeiro ministro do governador da III Dinastia Zoser chegou a ser conceituado como um semideus. Durante a V Dinastia, os faraós começaram a atribuir a si mesmos ascendência divina e desde essa época foram venerados como filhos de Rá. Deuses menores, simples demônios, ocuparam também um lugar hierarquico entre as divindades locais.


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