quinta-feira, 14 de junho de 2012

Afeganistão

Porque é que a depressão e os problemas mentais estão tão generalizados entre as mulheres e são tão graves que as têm levado a cometerem tantos suicídios? Será que é outra coisa que não o tipo de vida a que essas mulheres são sujeitas? Mesmo Kaker não tentou sequer esconder isso, ou melhor, não o podia esconder. Disse: «A continuação da guerra civil e da violência no Afeganistão, as deslocações forçadas, os casamentos precoces, os casamentos forçados, a violação, a violência doméstica e a pobreza generalizada são as causas dos problemas mentais e da depressão no Afeganistão.»


Um fenómeno novo no Afeganistão é o número de mulheres que consomem drogas, o qual está a crescer. Segundo os números divulgados pela Comissão de Direitos Humanos do Afeganistão, mais de 120 mil mulheres consumem agora drogas, em particular ópio.

Porque é que o número de mulheres viciadas em droga e suicidas está a aumentar? Não será porque a pobreza e a violência contra elas estão a aumentar? Será que isso não quer dizer que os EUA e outros países imperialistas tornaram a situação ainda pior para as mulheres?

Não há dúvida nenhuma que as mulheres sofriam de uma forma quase inacreditável quando os talibãs e outros grupos fundamentalistas islâmicos estavam no poder. Mas não será verdade que a ocupação tornou a situação ainda mais complicada para as mulheres? Não veio aumentar os problemas e vidas difíceis das mulheres do Afeganistão, tal como a ocupação liderada pelos EUA indiscutivelmente o tem feito no Iraque? Os relatos e números disponíveis, e mesmo as investigações feitas por forças pró-imperialistas e por responsáveis do governo Karzai, tudo isto sugere que sim.

Mas o Afeganistão é uma república islâmica onde a sharia (a lei religiosa) tem precedência desde que a sua actual constituição foi aprovada para dar uma cobertura religiosa à ocupação. O regime de Karzai aprovou leis do casamento e da família inspiradas na shariaque dão aos homens o direito a impedir as suas esposas de saírem de casa. É ilegal uma mulher não ceder às exigências sexuais do marido. O hábito do governo de Karzai de libertar homens encarcerados por terem cometido violações em grupo é tão notório que até provocou um protesto das Nações Unidas. Numa entrevista ao serviço em persa da BBC, Sima Samar, actual dirigente da Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão, declarou: «As instituições governamentais são um sério obstáculo aos direitos das mulheres no Afeganistão».


Mas os EUA e os outros imperialistas ocidentais não se ficam por aqui na punição das mulheres afegãs. Agora que decidiram iniciar negociações com os talibãs, podemos estar certos que qualquer aparência de «direitos» das mulheres que ainda possa existir será vendida se os EUA puderem obter alguma «solução política» para a sua guerra falhada. Este rumo dos acontecimentos tem sido denunciado antecipadamente pelos vários grupos de direitos das mulheres que operam sob a ocupação.

A lição que se pode retirar disto é que nenhum imperialista nem nenhuma outra força reaccionária podem libertar as mulheres; eles são os principais opressores dos povos do mundo, incluindo as mulheres. A libertação das mulheres do Afeganistão foi apenas um pretexto para a invasão em defesa dos seus próprios interesses imperialistas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário