quinta-feira, 14 de junho de 2012

Afegã é perdoada mas terá que casar com estuprador

A afegã Gulnaz, de 21 anos, teria de cumprir uma pena de 12 anos de prisão por ter sido estrupada por um homem casado. Para se livrar da pena a jovem terá que se casar com o homem que a estuprou e a engravidou. A decisão foi tomada com base na rígida lei islâmica – a sharia – e como meio de legitimar sua maternidade sobre a criança que deu à luz enquanto presa.


A jovem havia sido estuprada pelo cunhado quando tinha 19 anos, Conforme contou à rede CNN. “Ele estava com roupas nojentas, porque trabalha na construção civil. Quando minha mãe saiu, ele foi até a minha casa e fechou as portas e as janelas. Eu comecei a gritar, mas ele me calou, tapando minha boca com as mãos”, descreveu Gulnaz.

A garota preferiu não denunciar o agressor, com medo de represálias, mas poucas semanas depois descobriu que estava grávida e o segredo foi revelado à família. Gulnaz foi julgada por adultério e condenada a 12 anos de prisão, assim como o cunhado.

Ela teve a “pena” reduzida para três anos. O agressor, por sua vez, também será punido. Como ele era casado à época do crime, a justiça afegã o enquadrou como adúltero, o que resultará em uma pena de sete anos de prisão.

Gulnaz aceitou casar-se por conta de sua filha. Ela ainda corre o risco de sofrer um “assassinato de honra”, que muitas vezes são cometidos pelos próprios familiares ao se considerarem desonrados.

Em entrevista à emissora britânica BBC, a advogada de Gulnaz, Kimberley Motley, disse que o desejo da vítima era “poder escolher livremente entre casar ou não com o homem que a agrediu”.

Emal Faizay, porta-voz do governo afegão, informou que o ministro da justiça do país participou de uma reunião com a jovem. Ela teria dito, na ocasião, que só aceitaria casar-se com o estuprador na hipótese de seu irmão também se casar com a irmã dele.

Cerca de 5000 pessoas assinaram uma petição pela liberdade de Gulnaz. O embaixador da União Europeia no Afeganistão disse se sentir “maravilhado” com a notícia de que ela havia sido solta. Segundo ele, “o caso serviu para destacar o dilema das mulheres afegãs, que, mesmo depois de 10 anos da queda do regime do Talibã, ainda sofrem em condições inimagináveis, privadas até mesmo dos mais básicos direitos humanos”.

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