terça-feira, 1 de março de 2011

Se eles trucidam os povos dos países que invadem e voltam assim, imagine-se o que deixam para trás quando saem.

Após retirada do Iraque, EUA acumulam soldados mutilados e com traumas psicológicos
DA EFE, EM WASHINGTON

Após mais de sete anos de conflito, os EUA encerram nesta terça-feira (31) sua missão de combate no Iraque, passando a enfrentar um grande desafio interno: atender aos milhares de soldados que devem retornar ao país mutilados, com traumas psicológicos e que perderam seus empregos.

A campanha do Iraque tornou-se a guerra mais longa da história dos EUA, e uma das que teve maior custo econômico e humano, somando quase US$ 900 bilhões investidos e 4,2 mil soldados mortos.

O presidente americano, Barack Obama, fará um anúncio na terça-feira às 21h (horário de Brasília), para anunciar o fim da guerra, embora cerca de 50 mil soldados integrando uma força de transição devam permanecer no Iraque.

"Nenhum soldado volta da guerra sendo a mesma pessoa que saiu de casa. Sempre retornam diferentes, raras vezes para melhor, e muitas famílias não os reconhecem", disse o presidente do grupo Veteranos pela Paz, Mike Ferner.

"Os homens e mulheres que voltam da guerra, mesmo que não tenham problemas de saúde, têm enormes dificuldades para encontrar trabalho, ainda mais na atual situação econômica", apontou.

PROBLEMAS MENTAIS GRAVES

Nos últimos sete anos, quase 1,5 milhão de homens e mulheres serviram nesta guerra que, em seus momentos de maior intensidade, chegou a ter deslocados 171 mil soldados. Cerca de 30 mil retornaram com ferimentos físicos e lesões psicológicas.

Por isso, os veteranos esperam que Obama, como fez em seu discurso por rádio no sábado, se comprometa amanhã a colocar todos os recursos disponíveis para evitar que os veteranos fiquem à margem da sociedade.

No sábado, Obama reconheceu que o maior problema são os soldados que sofrem lesões cerebrais e estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês), dado que "poucos recebem o diagnóstico e cuidados adequados".

Mas "estamos mudando isso", disse Obama, ao lembrar que o governo está investindo recursos no tratamento e atenção dos doentes e em tratamentos para reduzir a alta taxa de suicídios.

TRAUMAS

Cerca de 30% dos soldados que retornaram do Iraque sofrem de problemas mentais graves após terem presenciado mortes, mutilações, combates e a tensão constante de viver em uma zona de guerra.

Um estudo da revista "Military Medicine" aponta que 62% dos soldados que retornaram receberam ou precisam de tratamento psicológico; 6% mostram síndrome de estresse pós-traumático e 27% passaram a abusar de álcool.

Os traumas psicológicos não são o único obstáculo enfrentado pelos soldados ao voltar ao país, que segue sofrendo as consequências da pior crise econômica desde a Grande Depressão iniciada em 1929.

"O maior problema que eu vejo agora é que os veteranos voltam e muito não encontrarão seus empregos", disse Tracy Handschuh da Operation Homefront, um grupo que ajuda aos militares na solução de suas emergências financeiras.

Apesar de as empresas terem obrigação legal de manterem os postos de trabalho dos reservistas quando estes são enviados a missões no exterior "isso não funciona se a companhia fechou durante a recessão", comentou Handschuh, quem acrescentou que "quando o soldado volte talvez o emprego já não exista mais".

Uma característica da Guerra do Iraque foi o envio repetitivo das mesmas tropas à zona de guerra.

Ao menos tempo 57% dos membros em serviço ativo das Forças Armadas dos EUA (excluídas os reservistas) serviram em torno da área de combate e 31% retornaram ao menos para uma segunda temporada.

"As missões de um ano colocam à prova aos soldados, mesmo que sua moral esteja boa", comentou o inspetor-geral de Saúde do Exército, tenente-general Kevin Kiley, quem lembrou que enquanto estão longe de casa os soldados, homens e mulheres, "perdem de presenciar fatos como nascimentos, os primeiros passos dos filhos, os aniversários".

"Mas quando os soldados vão para uma segunda ou uma terceira missão, o impacto é bem maior", acrescentou.


Fonte: FOLHA DE SP

extraido do blog de Izidoro Azevedo dos Santos

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