sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre todas as coisas: Em curtas vidas, nascemos e morremos sem viver


"Esperança é algo que já não tenho mais. Voou do varal numa noite qualquer. O mesmo varal onde pendurei minha fé. Voou também. Nem vi!”

“ Venta muito por aqui. Nada fica firme por muito tempo!”

Atire a primeira pedra quem jamais se sentiu só. E a segunda, quem, mesmo acompanhado, não esteve sozinho. “Somos companheiros da solidão do outro”, escreveu Oriah Mountain Dreamer.

Poucos não foram os poetas que escreveram a respeito da solitude concatenada ao amor – ou à ausência dele.
Olho os casais, depois da inebriante paixão, e não avisto mais que dois indivíduos sós, mas não isolados, compartilhando algo em comum .
Duas partes inteiras que se formassem uma seriam reduzidas pela metade!

Por outro ângulo, alguns pensadores viveram sozinhos por terem características intelectuais de tempos posteriores aos seus. Esses, como Leonardo da Vinci, sofreram de algo como solidão ideológica. Outros optaram por se isolar para encontrar Deus, como os monges retirantes. Em florestas e cavernas, buscam por outro. Também amam e estão sós!

Assim, penso que talvez as poesias relatem a verdade:”Por meio do amor eu me sinto só, ou tenho minha solidão acompanhada!”
No anonimato, esses monges têm outra forma de solidão que só pode ser curada com um entre todos – este que, ironicamente, está em todo lugar – ao contrário de mim, que me sinto só.

Se eu não sou feliz, nada pode me fazer feliz”, disse o mestre. Foi embora depois de olhar nos meus olhos para proferir: “Se você tem uma razão para me amar, eu não quero teu amor”. Mas eu só sei amar por razões pontuais – e inconscientes. Vexatório, mas ele está certo. Meu racional induz ao que chamo de amor.
Aqueles poetas românticos tinham razão. Digitada tais linhas, falta amor na vida desta que sou – que nem sequer sabe o que amar significa!
E que, na insanidade, acredita que, mesmo assim, sinceramente, ama todos os amigos e a família, assim como os deuses sobre todo o universo.



Daí brota a solidão que se ramifica por cada e toda faceta de vida minha. As escrituras se provam certas novamente. Elas falam do amor incondicional que nada sei a respeito e atestam que a ignorância é a raiz de todos os males, inclusive da solidão.

Somente água

Com maestria no Vedanta, ele me diz que me ama simplesmente porque realizou que si próprio é o amor. Diz para mim que, quando estou só, e peço por Deus sem vê-Lo, Ele é a solidão. Complementa ensinando a verdade universal de que nada existe além Dele. Eu nada entendo. Ele fala sobre ondas, mar e oceano.

Em Ras Sudr, no Egito, próximo ao mar Vermelho, sou abduzida pela beleza do oceano relembrando as palavras que somente ali fizeram sentido. “Sofremos porque conscientizamos a onda durante toda a vida.

Por esse prisma, questionamos o motivo pelo qual somos fortes ou fracos, grandes ou pequenos. Indagamos a respeito da praia que estamos, freqüentemente querendo estar em outras distantes. Durante nossa breve vida, não falta sofrimento.

Em curtas vidas, nascemos e morremos sem viver.

Em algum momento, descobrimos Deus, o mar!
Rezamos para que o mar nos leve às praias que queremos e nos transforme em uma onda diferente da que somos.
Um belo dia percebemos que a onda não está separada do mar. Nasce e morre nele.”

“E você sabe que não é nem onda nem mar?”

“Nada existe além de água”.

Como os grandes pensadores, sofro de solidão ideológica, mas, ao contrário deles, por falta de capacidade de compreensão.
Ainda rezo para que o mar me abençoe.
Mergulhada na água sinto a força do oceano, que é característica do volume da água em si.
“Sozinha, Ele é tua solidão.”



O mestre imortalizado em suas palavras. “Só água.” Entro no mar observando a onda acompanhada pelo mar. Sinto, então, a água alimentar minhas esperanças de realizar a vida além da forma de uma onda que penso ser; além do espaço do mar que interpreto estar sobre todas as coisas. Assim algo me conforta e a solidão parece existir somente neste holograma que os cientistas chamaram de universo e os hindus de maya. Essencialmente água. Só água.

Patrícia Varella.(BLog ELLAS)

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