terça-feira, 25 de agosto de 2009

Entre mulheres ideais e verdadeiras mulheres!


Quando Deus criou Adão e Eva, tudo era perfeito. Os dois andavam no paraíso como iguais. Desfrutavam das belezas,da fartura e da companhia um do outro. Se amavam e faziam amor e aposto que devessem admirar muito seus corpos,sem julgar que fossem diferentes ou que devessem se sobrepujar.Mas Deus,na sua infinita Sabedoria,avisou:
-Não comam do fruto proibido:Mas eles comeram e começaram a não mais se compreenderem e a achar que a sua nudez era pecaminosa e seus desejos mais ainda.
Então,Adão passou a não mais compreender Eva,aliás...Eva virou um “risco” para Adão que tinha que esconde-la dos olhos dos outros Adões para que não fosse desejada e com isso sua masculinidade e poder não fossem feridos.Então criou muitas categorias de Evas,também sob o pretexto de se proteger:
As tchutchucas, as saradas, as popozudas e finalmente as ideais.Que seriam propriamente as que: não tem opinião própria,não tem desejo,não conhecem o seu poder e portanto são facilmente controláveis.Basta, pegar pelo braço levar para casa e constituir família,sem correr nenhum risco. De preferência leva-la a um lugar distante onde não possa descobrir ou entrar em contato com outras de sua espécie mas de intelecto mais desenvolvido.
As Evas começaram a não entender nada!Como antes elas tinham orgulho do seu próprio corpo,dos seus seios que não precisavam esconder, dos seus cabelos compridos e do seu sexo! E agora???
Precisavam esconde-los e reserva-los, era proibido se sentir igual aos Adãos, na verdade agora eram seres inferiores (segundo eles). E na classificação dos Adões passaram a ser as tchutchucas, as saradas, as popozudas e finalmente as ideais.
As tchutchucas eram extremamente bonitas, viviam em função de se produzir para chamar os olhares para si mas eram intocáveis.Pois não podiam ser tocadas,somente nas suas imaginações.
As saradas eram mais liberais pois cuidavam do corpo e não se importavam muito se chamavam a atenção ou não mas viviam comprando revistas de como agradar seu homem na cama(para agrada-los é claro, custe o que custasse. Já as popozudas eram infinitamente objeto de prazer, reproduzindo seu estilo CTRC CTRV, como bonecas em série. Tudo isto para agradar os Adões ávidos por sexo fácil. As ideais(segundo os Adões) eram as perfeitas para casar e se reproduzirem, pois tão logo ficariam cheias de filhos, limpando a meleca do nariz das crianças e engordariam de tédio, ficando em casa e assistindo a novela das oito. Ele por sua vez não correria risco nenhum uma vez que desempenharia seu papel de macho muito bem e quando sentisse vontade de se realizar com outra era só pegar uma daquelas popozudas por ai.
A Eva perfeita(na concepção deles) então teria duas opções.Morreria de câncer ao longo dos anos pois voltaria toda a sua energia sexual reprimida contra ela mesma ou na maior parte das vezes se divorciaria do Adão para se tornar outra popozuda por ai, pois
Achava muito legal o jeito delas.
Bem, a verdade é que o caldo começou a entornar!
Primeiro as Evas aceitaram a sua condição, por longos e longos séculos de anulação.
Aceitaram também a condenação de serem responsáveis pelo pecado original, segundo a versão que fora deturpada na Bíblia.
Depois começaram a se revoltar contra a situação,queimaram seus sutiãns em praça pública e gritaram aos quatro ventos sua liberação dos Adões.
O problema foi quando resolveram trocar as saias longas pelas mini-saias, as mini-saias
pelas calças jeans e depois as calças jeans pelas de linho, acrescentando um terninho, uma gravata e uma pasta debaixo do braço. Problema porque em vez de assumirem sua independência, mantendo a essência feminina, começaram a competir com eles
e a imitá-los. A competição poderia ao menos ser mais justa, caso as regras desse jogo não tivessem sido criadas, exclusivamente, pelos Adões.




Mas finalmente surgiu uma terceira Eva:
Ela jamais ficaria em casa, cuidando de pirralhos melequentos e cheia de bobes nos cabelos, esperando o pulha do marido voltar às 5h da manhã, com bafo de pinga e marca de batom no cangote, sem dizer onde esteve. Aliás, dizendo ou não onde esteve, ela não esperaria por ele porque tinha mais o que fazer. E se o encontrasse no meio do caminho, era capaz de devorá-lo, literalmente.Grande garota! Mas perigosa demais para a segurança e auto-afirmação masculina.
Ela também não se deixaria aprisionar pelos estereótipos propagados na sociedade e na mídia: novelas em que as personagens femininas são histéricas; revistas que ensinam 53 idéias para agradar o homem na cama, na mesa e no banho, ou 82 formas de ficar linda de morrer para o namorado; também não ouviria as "músicas" de axé, funk, pagode etc. que tratam as mulheres como "cachorras"...
Ela definitivamente não iria contra o machismo histórico se MASCULINIZANDO. Mas sendo ELA MESMA,UMA MULHER COMPLETA!
Mas é claro que os Adões não conseguiram aceitar este tipo de Eva, para eles é como segurar uma “batata quente” nas mãos.
Cheguei então a triste conclusão: os Adões não estão preparados para as Evas de verdade!Talvés as novas gerações estejam...
Será por isso que vejo tantas Evas independentes e felizes por ai de braços dados com Adões extremamente mais jovens que elas???
Acho que este Adões vieram com uma bagagem diferente dos outros mais velhos.Creio que são mais auto-suficientes e admiram demais a qualidade dessas novas Evas.
Eles percebem que somos INDEPENDENTES mas não AUTO-SUFICIENTES.Sabem que sempre vamos precisar deles como eles sempre vão precisar de nós.Ao longo da história, nos obrigamos a ser aquilo que os homens queriam que fôssemos:bruxas, putas, mães, escravas, empregadas, damas, modelos etc., tolerando os defeitos masculinos com a intenção de receber amor em troca. Está mais que na hora de eles quererem o melhor que temos para oferecer: companheirismo e cumplicidade.Os homem vivem dizendo não entender o que as mulheres querem. Ora, queremos o de sempre: ser amadas. Sempre soubemos das mentiras que os homens contam, mas queremos tanto acreditar nelas que fingimos não ouvi-las. Do mesmo modo que os homens fingem não ouvir as verdades que as mulheres contam.

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