quarta-feira, 20 de maio de 2009

Meu desabafo de Mulher!

Hoje tenho 41 anos e estou fazendo um balanço da minha vida.Uma coisa grotesca que sempre me acompanhou desde cedo foi o sentimento de rejeição.Segundo as varias terapeutas que tive eu o vivi,gravei no subconsciente e reproduzo sem querer o tempo todo e em todos os relacionamentos.Talvéz pelo "pequeno" detalhe de minha mãe ter rejeitado a minha gravidez e ter combinado me doar para a vizinha ao lado de nossa casa pois ja estava de saco cheio de tanto filho e queria se separar do meu pai pois ja nao o suportava mais.Mas....pouco me importa se isso é verdade ou não.Já tentei entender o efeito sobre a minha vida mas não cheguei a conclusão alguma, então,que vá tudo à merda mesmo.Minha mãe só liga quando esqueço de mandar o dinheiro mensal que dou a ela e "nunca" atende a solicitação de vir passar algum tempo comigo,mesmo que seja uma semana.Mas desde cedo,aprendi não sei onde(ou idealizei) que amor de mãe era incondicional e que toda mãe amava a sua cria.Na teoria tudo é maravilhoso mas na pratica???Isto até eu ouvir dela que tinha sido a razão de sua vida ter sido ruim.Bem,dizem que devemos perdoar as pessoas para sermos felizes,concordo.Mas quem vai arrancar de dentro da gente a ferida que ali ficou e que em um milhão de anos, se abrissem nosso peito ela ainda estaria lá,latente,intocável!Meu pai que foi um dos meus melhores amigos já morreu e minhas unicas irmãs vivem suas vidas "atarefadas" sem tempo real de me perguntar de vez em quando:olá como voce está?Mas também em parte é um pouco culpa minha pois sempre que decidia uma coisa na minha cabeça eu fazia,sempre fui assim.Saí cedo de casa aos 17 anos.Decidi casar e fui morar no outro lado do país.Os laços se distanciaram mesmo.Mas existem alguns amigos ainda em minha vida.
Então....quando estou fazendo sucesso e eventos meus "amigos" me procuram e me convidam para festas e algo mais,conveniente quando existe interesse social em desfilar comigo por aí.Mas tenho pouquissimos amigos verdadeiros mesmo(não posso ser tão cruél assim).Relacionamentos amorosos?desisto,joguei a toalha mesmo.Jurei para mim mesma que de agora em diante não quero mais.Os homens que mais amei na vida me decepcionaram mais do que tudo.Talvéz porque eu espere muito das pessoas,talvés porque essa minha mania de achar que sinceridade,dedicação,responsabilidade e reciprocidade sejam valores que ainda existem ou melhor esta minha "burrice" de sempre enxergar o lado bom das pessoas e ver que se voce estimulá-las a desenvolvê-lo elas podem ser melhores.Mas acho que estou errada e por isso me decepciono.Talvéz eu seja uma alma que não evoluiu e vive no Século XVIII onde os homens tiravam o chapéu para cumprimentar as pessoas e a palavra deles não precisava nem sequer ser documentada.Bastava falar que o sujeito honrava com a palavra,não precisava contrato nem nada.Eles não "pegavam" você para "utilizar" seus dotes amorosos e sexuais para depois quando você abre a boca e diz um "eu te amo" ou um "vamos fazer planos para o futuro" sairem correndo como vampiros fugindo de uma cruz.É,a maioria das pessoas está tão fútil ultimamente e as consistentes como eu que sabem o que querem e pra onde estão indo são alienigenas num mundo onde a felicidade é feita de receitas de pseudo-liberdade regadas a livros de auto-ajuda e novelas das oito da Rede Globo.Quando você acha um cara que parece bacana e sensivel,de repente vê ele aborrecido e se sentindo diminuido porque você tem uma profissão melhor que a dele(as vezes ele nem tem)ou você ganha mais dinheiro que ele,ou é mais competente...e isto eu não posso arrancar de mim.Não tive culpa de sempre gostar de estudar e nunca ter tirado menos que média nove em todo o meu colegial.Formação musical,artistica e profissional.Azar o meu não é?Antes fosse uma descomplicada mulher das cavernas,que mal sabe balbuciar as palavras e não pensa,aí não iria questionar e não iria sair perdendo,porque os homens de hoje são uma mistura mal resolvida,o resultado da liberação feminina,culpa nossa de querer se equiparar a eles e esquecermos que somos "mulheres ainda".Estão deslocados e perdidos(tanto quanto eu).Mas nós,"as mulheres" para garantirmos nosso espaço nesta sociedade cruél temos que ser mais do que o esperado.Sou fruto dela,vivi e vivo esta transição que as mocinhas de agora vão ingressar sem ideia do real que acontece.Uma sociedade de cobranças desumanas onde temos que ser as mais bonitas,as mais educadas,as mais inteligentes,as mais independentes,as melhores mães,as motoristas mais competentes,as melhores chefes,as mais gostosas,enfim...tudo isso pra não sair perdendo,senão somos "substituidas" e esta é a verdade.É cruél?mas é a realidade,não estamos preparados para ouvi-la não é?Porque existem milhares,eu digo,milhares de Marias,Janainas e Kátias,se matando por aí para serem as melhores porque a demanda está grande e a oferta é tão grande que os homens deitam e rolam pois podem usar a vontade.Beijar hoje,ligar amanhã...quem sabe.Mas nós(mulheres) queremos amor também,e aquele carinho e aquela proteção do macho.E agora?como ficamos?se eles não precisam mais disso ou nós passamos esta mensagem a eles.Não precisam mais nos proteger e nem nos garantir porque já nos garantimos sozinhas.Será? E aquela coisa careta do provedor da família,que nós tanto abominamos,do machista,aquele que era o chefe familiar.Pelo menos tinha o lado bom,teoricamente ele nunca abandonava a mulher,sempre honrava com seu compromisso para com ela mesmo que tivesse duas ou três mulheres paralelamente e muito bem disfarçadas aos olhares da sociedade.Ridículo?Eu também acho.Eu por exemplo: o que fazer se,nunca precisei de alguém para pregar um prego na parede para mim,nunca pedi anestesia quando estava parindo meus filhos e sempre aprendi a não reclamar! Resultado da minha educação repressora.Será que se eu tivesse sido mais manhosa eu teria me dado melhor?Talvéz sim...mas é como fui educada e como aprendi a "sobreviver!"Sobreviver sim,aquela menina que saiu de casa aos 17 anos e foi parar em outro lugar,longe de tudo e de todos e que teve que aprender a ser somente ela mesma,sem subterfúgios,sem uma mão pra segurar.E é essa mão que sempre me fez falta,sabe aquele ombro pra chorar?É o que eu nunca tive e o que eu sempre desejei mais do que tudo no meu íntimo,não é mais nem um buraco é uma cratera mesmo,maior do que aquelas que existem na lua.Mas nunca tive este colinho porque fui adestrada pra esconder,pra engolir em seco.Toda vez que apanhava da minha mãe ou do meu pai sem merecer engolia em seco e não derramava uma só lágrima.Mantinha a cabeça altiva e o silêncio.Depois chorava escondida para ninguém me ver.Hoje quando apanho da vida é a mesma coisa.Quando telefono precisando de alguém e recebo um talvés semana que vem eu tenha tempo,quando digo ao homem amado que quero viver ao lado dele para sempre e ele me pergunta se estou louca,quando digo ao meu filho adolescente para tentar ser melhor e ele me questiona dizendo que não lembra de eu ter feito algo bom na vida para ele;quando paro e penso em fazer planos e aí me pergunto pra quê! Tudo isso me leva a debochar,de todos os meus valores que me enterram ao invés de me sustentarem.Acho que a vida deve ser mesmo uma grande piada,onde temos que rir o tempo todo e buscar a espiritualidade;o budismo,espiritismo,catolicismo e sei lá mais que "ismo" para não se atirar debaixo do primeiro ônibus que passar pela rua.Uma piada,porque enquanto eu estou aqui escrevendo e comendo um pãozinho quente com café no meu apartamento sossegado e tranquilo,lá na África por exemplo existem milhares de crianças esquálidas comendo terra do chão.Você não quer ouvir?pois então,não precisa ir longe.Acho que subindo o morro da minha rua mesmo deve ter crianças agora assim,comendo terra do chão.O pai no bar bebendo e a mãe fora trabalhando de doméstica.Por que então acreditar?Teorizar?A vida é mesmo uma piada,se fosse fazer um paralelo diria que é como um circo.Você tenta ser o domador e ter controle sobre tudo e todos mas acaba um dia ou outro sendo comido pelo leão! Na melhor das hipóteses você pode perder uma perna ou um braço e ficar mais atento e não imaginar que é intocável,igual às historinhas da carochinha com final feliz que crescemos ouvindo.Aquelas sabe,do principe encantado que te liberta da torre,da bruxa malvada que sempre sai perdendo,do menino pobre que encontra o tesouro escondido,coisas assim.Mas vai dizer que com todo esse blá,blá ,blá de auto-suficiencia que ouvimos atualmente no fundo o que desejamos mesmo é esse final feliz,esse conto de fadas.Mas não esqueça que o leão existe.E se você sobreviver,mesmo sem um braço,ou uma perna,ou com o coração despedaçado você ainda está no picadeiro e tem que continuar respirando.Talvéz você se torne mais ágil,mais esperto,mais firme mas ainda assim no seu íntimo você desejaria que aquele leão fosse o gatinho que antes, nos tempos da tua inocência,te olhava nos olhos com tanta doçura e se deitava no chão deixando que voce coçasse a barriga dele.Nunca imaginou que ele teria ideia de te devorar não é?Esta historinha conto pros meus filhos agora.Assim é a vida, a inocência infantil que deixamos para trás e temos que aprender a pegar o bicho pelo pescoço com o único braço que nos restou intacto,fazer uma força sobrenatural para derrubá-lo no chão e sair rindo mesmo que por dentro estivermos chorando!Pessimista eu?Não,realista.Sou uma mulher que vive no planeta Terra,nave mãe,berço da humanindade.Um exemplar da raça feminina,em extinção.Uma mulher que encara a vida de peito aberto,peito enferidado.Igual aquela musiquinha que diz:"De tanto levar,frexada do teu olhar,meu peito até parece sabe o que?talbua de tiro ao álvaro..!ha ha ha.Está vendo? Isto é o bom humor,estou no picadeiro,lembra?Vou esperar o outro leão chegar!Beijo a todos.

Um comentário:

  1. Amiga,que coragem,vc desabafar,acredito que fez muito bem pra vc.Agora é a hora de ser feliz superar tudo e deixar o passado para traz.Contruir uma nova historia.Vc é uma muher incrivel pra la de especial.Te admiro ainda mais .Tudo de bom para vc te adoroooooooooo bjssssss

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