quarta-feira, 27 de maio de 2009

Quando alguém diz que você não pode fazer algo… Olhe a sua volta e considere todas as opções. E tente usando todas as armas que Deus te deu, usando sua criatividade!





Pare:

Analise:

Siga em frente:


Arrisque-se:



E tente...



Mais um pouco...





rumo à vitória!




quarta-feira, 20 de maio de 2009

Meu desabafo de Mulher!

Hoje tenho 41 anos e estou fazendo um balanço da minha vida.Uma coisa grotesca que sempre me acompanhou desde cedo foi o sentimento de rejeição.Segundo as varias terapeutas que tive eu o vivi,gravei no subconsciente e reproduzo sem querer o tempo todo e em todos os relacionamentos.Talvéz pelo "pequeno" detalhe de minha mãe ter rejeitado a minha gravidez e ter combinado me doar para a vizinha ao lado de nossa casa pois ja estava de saco cheio de tanto filho e queria se separar do meu pai pois ja nao o suportava mais.Mas....pouco me importa se isso é verdade ou não.Já tentei entender o efeito sobre a minha vida mas não cheguei a conclusão alguma, então,que vá tudo à merda mesmo.Minha mãe só liga quando esqueço de mandar o dinheiro mensal que dou a ela e "nunca" atende a solicitação de vir passar algum tempo comigo,mesmo que seja uma semana.Mas desde cedo,aprendi não sei onde(ou idealizei) que amor de mãe era incondicional e que toda mãe amava a sua cria.Na teoria tudo é maravilhoso mas na pratica???Isto até eu ouvir dela que tinha sido a razão de sua vida ter sido ruim.Bem,dizem que devemos perdoar as pessoas para sermos felizes,concordo.Mas quem vai arrancar de dentro da gente a ferida que ali ficou e que em um milhão de anos, se abrissem nosso peito ela ainda estaria lá,latente,intocável!Meu pai que foi um dos meus melhores amigos já morreu e minhas unicas irmãs vivem suas vidas "atarefadas" sem tempo real de me perguntar de vez em quando:olá como voce está?Mas também em parte é um pouco culpa minha pois sempre que decidia uma coisa na minha cabeça eu fazia,sempre fui assim.Saí cedo de casa aos 17 anos.Decidi casar e fui morar no outro lado do país.Os laços se distanciaram mesmo.Mas existem alguns amigos ainda em minha vida.
Então....quando estou fazendo sucesso e eventos meus "amigos" me procuram e me convidam para festas e algo mais,conveniente quando existe interesse social em desfilar comigo por aí.Mas tenho pouquissimos amigos verdadeiros mesmo(não posso ser tão cruél assim).Relacionamentos amorosos?desisto,joguei a toalha mesmo.Jurei para mim mesma que de agora em diante não quero mais.Os homens que mais amei na vida me decepcionaram mais do que tudo.Talvéz porque eu espere muito das pessoas,talvés porque essa minha mania de achar que sinceridade,dedicação,responsabilidade e reciprocidade sejam valores que ainda existem ou melhor esta minha "burrice" de sempre enxergar o lado bom das pessoas e ver que se voce estimulá-las a desenvolvê-lo elas podem ser melhores.Mas acho que estou errada e por isso me decepciono.Talvéz eu seja uma alma que não evoluiu e vive no Século XVIII onde os homens tiravam o chapéu para cumprimentar as pessoas e a palavra deles não precisava nem sequer ser documentada.Bastava falar que o sujeito honrava com a palavra,não precisava contrato nem nada.Eles não "pegavam" você para "utilizar" seus dotes amorosos e sexuais para depois quando você abre a boca e diz um "eu te amo" ou um "vamos fazer planos para o futuro" sairem correndo como vampiros fugindo de uma cruz.É,a maioria das pessoas está tão fútil ultimamente e as consistentes como eu que sabem o que querem e pra onde estão indo são alienigenas num mundo onde a felicidade é feita de receitas de pseudo-liberdade regadas a livros de auto-ajuda e novelas das oito da Rede Globo.Quando você acha um cara que parece bacana e sensivel,de repente vê ele aborrecido e se sentindo diminuido porque você tem uma profissão melhor que a dele(as vezes ele nem tem)ou você ganha mais dinheiro que ele,ou é mais competente...e isto eu não posso arrancar de mim.Não tive culpa de sempre gostar de estudar e nunca ter tirado menos que média nove em todo o meu colegial.Formação musical,artistica e profissional.Azar o meu não é?Antes fosse uma descomplicada mulher das cavernas,que mal sabe balbuciar as palavras e não pensa,aí não iria questionar e não iria sair perdendo,porque os homens de hoje são uma mistura mal resolvida,o resultado da liberação feminina,culpa nossa de querer se equiparar a eles e esquecermos que somos "mulheres ainda".Estão deslocados e perdidos(tanto quanto eu).Mas nós,"as mulheres" para garantirmos nosso espaço nesta sociedade cruél temos que ser mais do que o esperado.Sou fruto dela,vivi e vivo esta transição que as mocinhas de agora vão ingressar sem ideia do real que acontece.Uma sociedade de cobranças desumanas onde temos que ser as mais bonitas,as mais educadas,as mais inteligentes,as mais independentes,as melhores mães,as motoristas mais competentes,as melhores chefes,as mais gostosas,enfim...tudo isso pra não sair perdendo,senão somos "substituidas" e esta é a verdade.É cruél?mas é a realidade,não estamos preparados para ouvi-la não é?Porque existem milhares,eu digo,milhares de Marias,Janainas e Kátias,se matando por aí para serem as melhores porque a demanda está grande e a oferta é tão grande que os homens deitam e rolam pois podem usar a vontade.Beijar hoje,ligar amanhã...quem sabe.Mas nós(mulheres) queremos amor também,e aquele carinho e aquela proteção do macho.E agora?como ficamos?se eles não precisam mais disso ou nós passamos esta mensagem a eles.Não precisam mais nos proteger e nem nos garantir porque já nos garantimos sozinhas.Será? E aquela coisa careta do provedor da família,que nós tanto abominamos,do machista,aquele que era o chefe familiar.Pelo menos tinha o lado bom,teoricamente ele nunca abandonava a mulher,sempre honrava com seu compromisso para com ela mesmo que tivesse duas ou três mulheres paralelamente e muito bem disfarçadas aos olhares da sociedade.Ridículo?Eu também acho.Eu por exemplo: o que fazer se,nunca precisei de alguém para pregar um prego na parede para mim,nunca pedi anestesia quando estava parindo meus filhos e sempre aprendi a não reclamar! Resultado da minha educação repressora.Será que se eu tivesse sido mais manhosa eu teria me dado melhor?Talvéz sim...mas é como fui educada e como aprendi a "sobreviver!"Sobreviver sim,aquela menina que saiu de casa aos 17 anos e foi parar em outro lugar,longe de tudo e de todos e que teve que aprender a ser somente ela mesma,sem subterfúgios,sem uma mão pra segurar.E é essa mão que sempre me fez falta,sabe aquele ombro pra chorar?É o que eu nunca tive e o que eu sempre desejei mais do que tudo no meu íntimo,não é mais nem um buraco é uma cratera mesmo,maior do que aquelas que existem na lua.Mas nunca tive este colinho porque fui adestrada pra esconder,pra engolir em seco.Toda vez que apanhava da minha mãe ou do meu pai sem merecer engolia em seco e não derramava uma só lágrima.Mantinha a cabeça altiva e o silêncio.Depois chorava escondida para ninguém me ver.Hoje quando apanho da vida é a mesma coisa.Quando telefono precisando de alguém e recebo um talvés semana que vem eu tenha tempo,quando digo ao homem amado que quero viver ao lado dele para sempre e ele me pergunta se estou louca,quando digo ao meu filho adolescente para tentar ser melhor e ele me questiona dizendo que não lembra de eu ter feito algo bom na vida para ele;quando paro e penso em fazer planos e aí me pergunto pra quê! Tudo isso me leva a debochar,de todos os meus valores que me enterram ao invés de me sustentarem.Acho que a vida deve ser mesmo uma grande piada,onde temos que rir o tempo todo e buscar a espiritualidade;o budismo,espiritismo,catolicismo e sei lá mais que "ismo" para não se atirar debaixo do primeiro ônibus que passar pela rua.Uma piada,porque enquanto eu estou aqui escrevendo e comendo um pãozinho quente com café no meu apartamento sossegado e tranquilo,lá na África por exemplo existem milhares de crianças esquálidas comendo terra do chão.Você não quer ouvir?pois então,não precisa ir longe.Acho que subindo o morro da minha rua mesmo deve ter crianças agora assim,comendo terra do chão.O pai no bar bebendo e a mãe fora trabalhando de doméstica.Por que então acreditar?Teorizar?A vida é mesmo uma piada,se fosse fazer um paralelo diria que é como um circo.Você tenta ser o domador e ter controle sobre tudo e todos mas acaba um dia ou outro sendo comido pelo leão! Na melhor das hipóteses você pode perder uma perna ou um braço e ficar mais atento e não imaginar que é intocável,igual às historinhas da carochinha com final feliz que crescemos ouvindo.Aquelas sabe,do principe encantado que te liberta da torre,da bruxa malvada que sempre sai perdendo,do menino pobre que encontra o tesouro escondido,coisas assim.Mas vai dizer que com todo esse blá,blá ,blá de auto-suficiencia que ouvimos atualmente no fundo o que desejamos mesmo é esse final feliz,esse conto de fadas.Mas não esqueça que o leão existe.E se você sobreviver,mesmo sem um braço,ou uma perna,ou com o coração despedaçado você ainda está no picadeiro e tem que continuar respirando.Talvéz você se torne mais ágil,mais esperto,mais firme mas ainda assim no seu íntimo você desejaria que aquele leão fosse o gatinho que antes, nos tempos da tua inocência,te olhava nos olhos com tanta doçura e se deitava no chão deixando que voce coçasse a barriga dele.Nunca imaginou que ele teria ideia de te devorar não é?Esta historinha conto pros meus filhos agora.Assim é a vida, a inocência infantil que deixamos para trás e temos que aprender a pegar o bicho pelo pescoço com o único braço que nos restou intacto,fazer uma força sobrenatural para derrubá-lo no chão e sair rindo mesmo que por dentro estivermos chorando!Pessimista eu?Não,realista.Sou uma mulher que vive no planeta Terra,nave mãe,berço da humanindade.Um exemplar da raça feminina,em extinção.Uma mulher que encara a vida de peito aberto,peito enferidado.Igual aquela musiquinha que diz:"De tanto levar,frexada do teu olhar,meu peito até parece sabe o que?talbua de tiro ao álvaro..!ha ha ha.Está vendo? Isto é o bom humor,estou no picadeiro,lembra?Vou esperar o outro leão chegar!Beijo a todos.

domingo, 17 de maio de 2009

Não posso falar de amor sem falar em ética!



'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'.


'Descobri que um simples bom dia, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência',

Plínio Delphino,pesquisador e psicologo social


"Você se torna responsável por tudo aquilo que cativas!"É na racionalidade que radica a responsabilidade pelos nossos atos e pela nossa história. É ainda na exigência da racionalidade que se funda a abertura a um mundo ético. Graças a ela o homem toma verdadeira consciência dos seus limites e pode então tornar-se responsável em relação ao Outro ;então o homem responsável pode aspirar à liberdade. Um projeto de liberdade assume e integra o erro e a falibilidade do agir humano. Só reconhecendo a valor do risco que esta busca comporta é possível ao ser humano construir uma vida com um sentido ético e, portanto, plenamente humana.É dessa forma então que a partir de um processo dinâmico de experiência da relação com outros que construímos a aprendizagem afetiva e ética da nossa vida.Para entendermo melhor gostaria de citar aqui a teoria existencialista de Sartre>A maldade humana e a fraternidade são opostos que nos ligam à responsabilidade de nossas escolhas: angústia como a consciência do que somos.O homem, quando responsável e perante qualquer decisão, sente-se angustiado. Mas tal angústia não o impede de agir, pelo contrário, implica na ação. O homem, responsável pela humanidade, sentirá angústia ao escolher, pois esta escolha implica no abandono de todas as outras possibilidades. Porém, a idéia de que a existência precede a essência permite outros desdobramentos. O homem não pode responsabilizar a sua existência à natureza alguma. Não há nada que legitime seu comportamento, não há nada que o determine. O homem faz-se a si próprio, é livre: tem total liberdade para escolher o que se torna, é responsável por sua paixão. Assim, não há nada que justifique seus atos. O homem está desamparado, condenado à sua própria escolha.
Sendo o homem livre para suas escolhas, qual o lugar da moral na doutrina existencialista? Sartre, exemplificando, diz que há dois tipos de moral. A moral cristã prega que devemos seguir o caminho mais duro. Mas Sartre questiona-se: “qual o caminho mais duro?”. Já a moral para Kant afirma que devemos tratar as pessoas como fim, e não como meio. Porém, ao escolher algo como fim, as outras opções serão tratadas como meio. Então, seria o sentimento que determina nossa escolha pela moral a ser seguida? Sartre refuta essa idéia. Só podemos dizer que fizemos algo por amor, depois que já tivermos realizado. Justificar uma ação pelo sentimento terá seu valor apenas depois que o ato se concretizar: o sentimento se constituiu pelos atos praticados. Portanto, não podemos consultar nossos sentimentos como guia de nossas ações e não há também nenhuma moral que me guie: o homem é livre para escolher e tem a constante possibilidade de se inventar.
Neste ponto, Sartre retoma as críticas iniciais e às rebate a partir da argumentação descrita acima. Explica como é visto pela doutrina existencialista a proposição fundamental cartesiana: cogito, ergo sum (penso, logo existo). Para o exitencialismo, significa que não só atingimos a nós próprios, atingimos a nós através do outro. O outro é a condição para nossa existência, não somos nada sem o reconhecimento do outro. Para o homem conhecer-se é necessário, primeiramente, que o outro o reconheça!

Entenda o Coração Humano

Aprendemos que "a liberdade torna o homem responsável por seus atos!"
“O ser humano se ordena à Bem-Aventurança através de seus atos deliberados: as paixões ou sentimentos que experimenta podem dispô-lo a isto”. Os sentimentos ou paixões são emoções ou movimentos da sensibilidade que inclinam alguém a agir ou não agir em virtude do que experimenta ou imagina ser bom ou mau. Amor, ódio, desejo, medo, alegria, tristeza e cólera são componentes naturais do psiquismo humano que fazem ligação entre a vida sensível e a vida espiritual. Em si mesmos, estes sentimentos não são bons nem maus, só recebendo qualificação moral na medida em que contribuem para uma ação boa ou má.
A consciência moral é um ato da razão pelo qual o homem percebe e reconhece a qualidade moral de um ato concreto que planeja executar ou que já praticou. Quando resolve escutar a consciência moral, o homem pode ouvir a voz de Deus que lhe fala. Por isto, é importante que cada qual procure fugir de tantas situações da vida que o distraem demasiadamente, impedindo-o de refletir em seus atos. Por isto é importante buscar a interioridade e a vida de oração, para alí ouvir a voz de Deus, que fala no fundo de sua consciência. Assim é que advertia Sto Agostinho: “Volta à tua consciência, interroga-a... Voltai, irmãos, ao interior, e em tudo o que fizerdes atentai para a testemunha, Deus”.

Contabilizando as perdas e ganhos

A vida foi muito generosa para comigo,tive tudo o que se pode desejar!Já venci pobreza .Já viajei a lugares incríveis,mesmo sem imaginar como poderia chegar lá.Tive amores ardentes,amei e fui amada ao extremo.Tive todos os beijos e promessas ao luar.Já me senti rainha e dona do mundo.Tive os filhos que sonhei,Tive juventude e beleza.Algumas pessoas que amei pude dizer adeus,as outras que não pude sei que um dia vou encontrá-las.Tive todo por-do-sol maravilhoso e todo alvorecer resplandescente.E de nada reclamo,do que passei e das dificuldades que suplantei.Deus foi generoso comigo e me trouxe tudo que qualquer mortal pode desejar.E ainda no final,me ensinou uma lição maravilhosa:"somos mais felizes vendo a felicidade daqueles que amamos,acima da nossa própria!"Acho que posso dar a isso o nome de AMOR!Sempre fui lutadora e extremista:"Tudo ou nada!"este foi sempre o meu lema.Talvés seja por isso que sempre consegui tudo que sonhei e nunca desisti,uma teimosa? Mas também sempre tive essa mania insistente de dizer sempre a verdade doa a aquem doer e com isso fui colecionando algumas inimizades ao longo da minha vida.Transformando a minha vida e a dos outros ao meu redor.E mesmo com o corção despedaçado sempre teimo em seguir em frente.

Não sei quando vou jogar a toalha!Quero resistir ainda um pouco mais!Apesar de todas as dores que assolam meu coração fluirem de vez em quando como um rio de lava incandescente queimando meu peito!Tento escondê-la com um sorriso e tentar olhar em frente, a imensidão azul do céu.Afinal a vida imita a arte,as vezes quando estamos sorrindo por fora,choramos por dentro.Este meu jeito palhaça sempre enganou muito bem.Armaduras que usamos para nos proteger,para não ousar que ninguém nos veja cair no chão,afinal é muito mais legal se passar por poderosa e inatingível do que fragil e sentimental.As pessoas em geral não gostam daqueles que assumem suas fraquezas mas dos que ostentam poder e glória.Isto sempre me incomodou.Sempre fui uma pessoa cética,sempre acreditei que nada acontece na vida se não formos atrás do que queremos.Mas agora a essa altura da vida estou aprendendo que esta força e este poder vem lá de cima!Porque será que falamos "Lá de cima?"Talvés porque quando estamos bem nos sentimos mais leves,mais proximos Dele.Então será mesmo que Ele vive no céu?Se vive,cada vez que eu chorar vou olhar para cima e cada vez que eu pensar em desistir vou fitar o céu infinito e a imensidão.Talvés isto apazigue minha alma e me ensine a dar adeus a tantas coisas que eram amadas por mim e que não voltarão mais.Talvés até voltem,mas não da forma que eram.Sei que tenho que me desprender e respirar,apenas continuar respirando...e deixar a vida fluir sem nada esperar pois, quem sabe o que a maré pode me trazer amanhã?"

domingo, 10 de maio de 2009

À Todas as Grandes Mães



A Tradição da Grande Mãe


Durante os últimos três milênios as principais religiões do mundo enfatizaram o Princípio Divino
Masculino. Apesar das diferenças conceituais e das práticas religiosas entre judaísmo, islamismo, hinduismo e cristianismo, a Divindade Suprema e personificada por arquétipos masculinos com mitos e preceitos patriarcais.

Mesmo que existam figuras femininas que sejam honradas e celebradas elas não são
consideradas forças primordiais e criadoras, sendo relegadas a papéis e atribuições secundárias.
Apesar de, no momento, essas religiões predominarem no cenário mundial, a origem delas é
relativamente recente, enquanto que a veneração a uma Criadora chamada genericamente de “A Grande Mãe”, remonta ao início do período paleolítica, há trinta mil anos atrás. Provas irrefutáveis deste antiquíssimo culto são as inúmeras estatuetas em pedras, osso ou argila representando figuras femininas ou partes do corpo da mulher relacionadas com a função geradora ou nutridora, encontradas em todo o mundo.
Consideradas pelos historiadores homens do século passado como simples “Vênus” paleo ou neolíticas,atualmente esses objetos de culto são vistos como representações da deusa mãe, conforme demonstram os estudos, livros e pesquisas de antropólogas, historiadoras, sociólogas e arqueólogas.
Significado
A Grande Mãe representa a totalidade da criação e a unidade da vida, pois ela existe e reside em
todos os seres e em todo o Universo. Seus múltiplos aspectos e manifestações recriam o eterno ciclo de nascimento, crescimento, florescimento, decadência, morte e renascimento, na perpétua dança espiral das energias da vida.
A Deusa Mãe foi a suprema divindade do planeta durante trinta milênios, reverenciada pelo seu
poder de gerar, criar, nutrir e sustentar todos os seres. Os seus atributos de fertilidade, abundância e nutrição são vistos nas estatuetas com características zoomórficas ou antropomórficas, como deusas pássaros ou senhora dos animais ou simplesmente mulheres grávidas, dando à luz ou amamentando.
Reverenciada e conhecida sob inúmeras manifestações e nomes, de acordo com a cultura e a época, a Deusa era a própria Mãe Terra, a energia da vida do planeta. Por ser imanente e permanente em toda a natureza, a Grande Mãe era venerada nas fontes, nos rios, lagos e mares, nas grutas, florestas e montanhas,
nos fenômenos da natureza, na riqueza e beleza da Terra. Os templos que lhe foram dedicados reproduziam formas femininas ou concentravam e direcionavam as energias cósmicas e telúricas por meio dos círculos de pedras ou nas câmaras subterrâneas.


Tentativa de destruir o culto à Deusa


O período pacífico das civilizações neolíticas centradas nos cultos da deusa entrou em declínio cinco mil anos atrás com advento da idade de bronze e de ferro. Entre 4000-2000 AC invasões sucessivas de tribos indo-européias vindas da Ásia Central conquistaram e dominaram a Europa e a Ásia Menor. Estes povos nômades com instintos belicosos e usando o poder letal das espadas trouxeram consigo um panteão de deuses guerreiros, donos do céu, senhores dos raios e relâmpagos. Conhecidos como kurgos, arianos, hititas, semitas e dóricos, provocaram a destruição das culturas agrícolas matrifocais da Antiga Europa. A terra foi saqueada, os templos destruídos, as mulheres escravizadas e inferiorizadas.

Sobre os escombros neolíticos as tribos patriarcais criaram as suas civilizações baseadas em modelos de dominação e autoritarismo.


Androcentrismo


Muda-se o sexo do criador, a Mãe tornou-se Pai, os mitos são deturpados, transformando a Deusa criadora em simples consorte, filha ou amante de deuses todo-poderosos ou simplesmente aniquilando-a ou escamoteando-a em símbolos ou manifestações maléficas. Na psicologia da humanidade ocorre uma dicotomia entre os valores masculinos ( deuses celestes superiores) e femininos ( deusas telúricas inferiores). A luz passou a ser sinônimo do bem – a escuridão, do mal, o homem, por ser feito à semelhança do Deus investido de poder e direitos, a mulher, por lhe ser inferior, devendo ser submissa, e servindo apenas para reprodução ou prazer.
A derrota definitiva do culto da deusa ocorreu com a instauração do monoteísmo judaico-cristão,
que proclamou um só criador-Pai, e considerou a mulher a origem do pecado e de todos os males. O cristianismo suprimiu todos os símbolos do poder divino da Deusa considerando-os maléficos ou pecaminosos. Mesmo assim a iconografia e os atributos da Deusa foram absorvidos e adaptados no culto de Maria. Suas inúmeras igrejas foram erguidas nos locais sagrados das deusas greco-romanas, egípcias e celtas, seus atributos e estátuas sendo adaptações cristianizadas dos antigos nomes e imagens de Cibele,Innana, Deméter e Isis.
Depois da extinção definitiva dos cultos da Deusa nos países cristianizados, fragmentos das
antigas tradições, celebrações, conhecimentos e rituais, sobreviveram disfarçados nas crenças populares, nas tradições nativas e nos contos de fadas.


A volta do culto à Deusa


Atualmente observa-se no mundo todo o ressurgimento dos valores e da busca do Sagrado
Feminino, simbolizando a necessidade de uma cura profunda da psique individual e coletiva, levando a uma expansão da consciência para assegurar a renovação planetária no próximo milênio. A volta da Deusa não significa o retorno às antigas religiões; o que ela prenuncia é uma nova forma de validação dos valores femininos, uma nova cosmologia centrada na Terra, uma nova ética enraizada na conscientização e reconhecimento das tradições e mitos do passado, mas para nos reconectar com a energia amorosa e compassiva da Grande Mãe precisamos passar por mudanças profundas na nossa maneira de pensar e agir,abrindo mão do jogo de poder, competição, retaliação, vitimização e opressão (características do patriarcado) e desenvolver a tolerância, a solidariedade, a compreensão e apoio mútuo, ultrapassando as
diferenças e as cisões dualistas, em busca da pacificação interna e externa.

terça-feira, 5 de maio de 2009